segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Renunciar a Tudo e Orar Sempre


Os grandes iniciados insistem em duas coisas, para que o homem se realize plenamente: renunciar e orar.

"Quem não renunciar a tudo que tem, não pode ser meu díscipulo".

"Orai sempre, e nunca deixeis de orar".

Poucos sabem o que é renunciar e orar.

Renunciar não se refere, em primeiro lugar, ao abandono de bens materiais, mais sim ao desprendimento de um estado mental, de um falso pensar e um falso querer. O que impossibilita a auto-realização do homem é a sua identificação com o seu ego. Quem não se desapegar desse falso apego, não pode realizar-se em espírito e em verdade.

Quando o homem se desapega do falso pensar e do falso querer, torna-se fácil e espontâneo o desapego do seu falso possuir. A renúcia aos bens materiais é apenas um corolário, uma consequência, da renúncia a uma ilusão mental, a um falso pensar e um falso querer.

A alma da renúncia é o desapego da tradicional identificação com o ego-físico-mental-emocional. Uma vez que o homem renunciou a esse seu ter mental-emocional, torna-se fácil a renúncia a seu ter material.

Pode ser que a renúncia material não seja necessária, ou aconselhável, mas a renúncia mental-emocional é sempre indispensável.

Palavra igualmente mal entendida é "orar", que muitos identificam com rezar. Rezar é um ato transitório do ego, orar é uma atitude permanente do Eu. Orar é uma abertura da alma em face do Infinito, em face da Realidade, em face da Alma do Universo, que é a Divindade.

A permanente atitude cósmica, chamada oração, é perfeitamente compatível com qualquer trabalho profissional, com qualquer atividade externa do ego. A verdadeira oração não somente não impede o trabalho exterior, mas o beneficia grandemente. Quem trabalha à luz da oração trabalha com maior alegria, simpatia e leveza, porque a atitude da oração reveste de um halo de poesia e beleza todo e qualque trabalho, por mais humilde que seja.

Pouco a pouco, o homem de oração permanente e de renúncia total verifica que esses dois imperativos do Cristo não são dois, mas um só. O homem de permanente abertura cósmica verifica, com grata surpresa, que essa atitude de consciência não tem vontade de ter algo, mas de ser alguém, por que descobriu que todo o algo objetivo é pura ilusão, e que somente o alguém subjetivo é que é a verdade. O ser alguém eclipsa o ter algo.

A experiência do auto-conhecimento anula todo o desejo de algo possuimento.

A verdade do Eu nulifica todas as ilusões do ego.

Renunciar a tudo e orar sempre, são idênticos em sua essência.

Por isto, o homem em oração permanente e de renúncia total não se considera virtuoso; ele sabe apenas que a verdade o libertou das ilusões. Ele é um homem liberto, um homem realmente livre, e por isto um homem profundamente tranquilo e feliz.

Irrequieto e infeliz é todo o homem enquanto deseja ter algo; tranquilo e feliz é todo o homem que é alguém.

Renunciar a tudo é orar sempre.




Huberto Rohden





Nenhum comentário:

Postar um comentário