terça-feira, 11 de agosto de 2009

O Sacramento do Silêncio

O que eu possa dizer a Deus ou de Deus não é importante; Importantíssimo é aquilo que Deus pode dizer a mim. E Deus dirá coisa importante a mim, se eu crear em mim ambiente propício para ouví-lo. Mas, para que Deus possa falar, eu devo calar.
Deus não me fala se eu não me calar.
O silêncio do ego provoca o verbo de Deus.
A minha ruidosa ignorância afugenta a silenciosa sapiência de Deus.
O meu ruído é estéril, o silêncio de Deus é fecundo.
Quem fala esteriliza a mente.
Quem pensa esteriliza a alma.
Quem não fala nem pensa, fertiliza a alma.
Para além de palavras e pensamentos começa a consciência espiritual.
É necessário, primeiro, pensar mentalmente e depois conscientizar espiritualmente; E jorra para dentro de mim a plenitude da Realidade Divina.
O sacramento do silêncio e da solitude produz a consciência espiritual.
Muitos sabem falar eloqüentemente.
Alguns sabem pensar corretamente.
Poucos sabem silenciar dinâmicamente.
Mas... o silêncio é a agonia do ego. E, por isto, os ególatras têm horror ao silêncio, porque têm horror ao egocídio; Prelúdio para a ressureição do Eu crístico no homem.
Para quem viveu do barulho 30, 50, 80 anos, se afoga no mar do silêncio. E, por isto, tenta agarrar-se a qualquer tábua de salvação.
O ambiente vital do ego é ruído, seja material, seja mental, seja emocional; O ego não vive sem ruídos e barulhos de toda a espécie. Quando então lhe falta esse indispensável elemento vital, sente-se o ego como que sem ar, sem alimento e, se não consegue adaptar-se ao amiente do silêncio, acaba morrendo de asfixia ou inanição.

Huberto Rohden

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